top of page

 

   Renata Rocha

​

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

​

Quem realmente se importa?

Compreender a memória, a mente humana, talvez seja uma das tarefas mais difíceis do universo. Há dias em que a gente briga com o espelho. Questiona as decisões que tomou, as que não tomou e até aquelas que ainda serão tomadas- num futuro que nem chegou e que a gente sequer sabe se vai chegar. Há dias em que eu converso comigo mesma. E, nessas conversas, às vezes me pego pensando sobre quem realmente se importa. Quem, de fato, é importante. Porque a gente passa uma parte enorm

Eu ainda estou chegando...

Eu ainda tenho roupas espalhadas pela casa. Algumas estão dentro de caixas, outras em sacos, e talvez demore muito mais do que uma semana até que tudo encontre o seu lugar. Ainda não me acostumei com a casa nova. Com o cheiro. Com a luz entrando diferente pelas janelas. Ainda não aprendi direito onde ficam os interruptores. Não sei exatamente que dia o caminhão do lixo passa. Não conheço os vizinhos. Para ser sincera, não tenho prestado muita atenção nisso. A casa nova ainda

Quando tudo contraria

Alguns dias parecem desafiar a lógica. Não a lógica das coisas. A lógica da nossa própria paciência. É como se até o vento escolhesse soprar na direção contrária justamente quando a gente mais precisa dele a favor. Penso nisso agora, voltando para casa depois de uma sexta-feira carregada de documentos, impasses, assinaturas, papéis, decisões que não se resolvem e demandas que, em tese, deveriam ser apenas parte da rotina. Em tese. Porque há dias em que tudo parece decidir fun

MUDANÇAS

Existe alguma coisa de profundamente simbólico no ato de se mudar. E talvez não seja sobre caixas, sacolas ou móveis. Talvez seja sobre a vida. Porque, se a gente parar para pensar, passa a vida inteira se mudando de lugar. A gente muda de emprego, de casa, de cidade. Muda de relacionamento. Às vezes muda de país. E, nas mudanças mais silenciosas, muda de si mesmo. Há versões nossas que ficam pelo caminho sem que a gente perceba. Mas existe uma diferença curiosa entre mudar d

A maior saudade não tem nome. Tem presença

Se me perguntarem sobre saudade, talvez eu tenha dificuldade em responder. Não porque ela seja difícil de explicar, mas porque se tornou ampla demais diante de tudo o que a gente vive no dia a dia. Talvez eu sinta saudade de gente que ainda é gente de verdade. Gente que fala olhando nos olhos. Gente que se importa em saber se quem está ao lado teve um dia bom. E, quando descobre que não teve, permanece ali, interessada, sem pressa de ir embora. Talvez eu sinta saudade desse e

Depois da Notícia

Alguns dias eu me permito desacelerar. Hoje foi um deles. Voltando para casa, no meio do trânsito, me fiz uma pergunta que deveria ser simples para alguém que vive uma redação todos os dias: afinal, o que é ser jornalista? A resposta automática veio primeiro. Jornalista é quem informa. Quem conta histórias. Quem denuncia. Quem fiscaliza o poder. Quem dá voz a quem não tem voz. Mas essa última resposta sempre me incomodou. Dar voz em que sentido? Quem realmente escuta essa voz

Bússolas Não Vêm de Fábrica

É estranho imaginar que as pessoas sejam como bússolas. Que já cheguem prontas, apontando uma direção exata. Como se existisse um roteiro alinhado, um mapa capaz de revelar o que cada um pensa, sente ou esconde atrás de um olhar silencioso, numa tarde qualquer, sentados à mesa de um café na esquina. Mas pessoas não vêm com legenda. É como acreditar que filhos nascem acompanhados de um manual de instruções. Não nascem. E talvez seja justamente essa ausência de respostas que to

Casa Nem Sempre É Morada

É curioso como as nossas maiores certezas, às vezes, são justamente aquilo que mais nos faz duvidar. Tenho a impressão de que escrevi sobre isso recentemente. Sobre continuar mesmo durante a tempestade. Sobre seguir quando tudo parece desabar e quando a vontade é apenas esperar a chuva passar. Talvez eu tenha escrito. Talvez eu só tenha pensado. Às vezes já não sei distinguir as coisas que vivi das que escrevi. A verdade é que existem dias em que estamos tão bem que isso pare

As Estações Que Não Estão no Calendário

Talvez as estações mais difíceis de atravessar não sejam aquelas que aprendemos ainda no ensino fundamental. Verão, outono, inverno, primavera. Essas a gente decora. Sabe quando chegam, imagina quanto duram e até separa as roupas certas para cada uma delas. As outras, não. As estações que realmente desafiam a gente não aparecem em nenhum calendário. Elas chegam sem aviso, permanecem pelo tempo que querem e vão embora sem pedir licença numa bela manhã de segunda-feira. São as

O Espelho Nunca Mais Reflete do Mesmo Jeito

Vez ou outra eu escrevo sobre isso. Talvez, para quem me acompanha, pareça repetitivo. Talvez você pense que eu estou voltando sempre ao mesmo lugar. Mas ninguém permanece igual por muito tempo. Nem mesmo diante da mesma dor. Há dias em que eu sinto que o meu coração virou pedra. Não porque deixou de sentir, mas porque aprendeu que sentir também machuca. É estranho perceber que, em algum momento do caminho, alguma parte de mim ficou para trás. Como se eu tivesse seguido em fr

Talvez a Próxima Vida Seja uma Desculpa

Existe uma frase que as pessoas repetem quando não sabem mais o que fazer: “Talvez a gente funcione na próxima vida.” E eu fico pensando no peso dessa frase. Porque talvez eu nunca tenha desejado uma próxima vida ( acredite, eu nunca quis). Eu só queria que esta tivesse dado certo. Perdi a conta de quantas vezes ouvi as tuas músicas. Principalmente aquela que fala da estação, do bilhete, da viagem que nunca aconteceu. Engraçado como uma canção consegue visitar lugares onde du

Dois Universos no Mesmo Endereço

Conviver talvez seja a experiência mais bonita e, ao mesmo tempo, a mais desafiadora que existe. E nem estou falando da convivência com os outros. A primeira batalha acontece dentro de nós. Todos os dias. Passamos boa parte da vida tentando entender quem somos, negociar com os nossos medos, administrar inseguranças, silenciar excessos, acolher faltas. Já é um trabalho enorme habitar o próprio universo. Agora imagine quando dois desses universos decidem dividir o mesmo endereç

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado… Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas… Seguraria o amor que está

Se Um Dia Você Pensar em Voltar, Escolha Não Voltar

Se um dia você sentir vontade de voltar, eu só te peço uma coisa: não volte. Parece contraditório, eu sei. Porque quem ama costuma esperar. Costuma deixar uma fresta da porta aberta, uma luz acesa na varanda, um lugar reservado à mesa. Quem ama inventa desculpas para os atrasos, transforma saudade em esperança e faz do impossível um endereço onde insiste em morar. Mas eu já fiz tudo isso. E descobri que algumas portas precisam permanecer fechadas não por falta de amor, mas po

Enquanto Cada Um Procura o Próprio Bote

Existe uma pergunta que me visita em silêncio, dessas que chegam sem pedir licença e ficam ecoando durante dias. Quem realmente se importa quando a gente não está bem? Não estou falando daquele “como você está?” que virou cumprimento, dito no automático, enquanto os olhos já procuram outra direção. Estou falando de quem para. De quem escuta. De quem percebe que, por trás de um “tá tudo bem”, existe um universo inteiro desmoronando. Porque, no fundo, são poucas as pessoas que

Nem todo peso precisa morar nos seus ombros

Tem dias em que a vida parece pesar mais do que os nossos ombros conseguem suportar. E, quando isso acontece, a primeira vontade é despejar esse peso em quem está por perto. Mas a verdade é que nenhum fardo fica mais leve quando é dividido na forma de impaciência, silêncio ou palavras duras. Crescer talvez seja isso: entender que nem sempre fazemos o que gostaríamos, mas, muitas vezes, o que precisa ser feito. Aceitar que existem decisões que a vida toma por nós e que resisti

Passei tanto tempo escolhendo você que esqueci de me escolher.

Pensar nas escolhas que fizemos é uma forma de revisitar pessoas que já não existem mais. Porque a verdade é que, toda vez que escolhemos um caminho, deixamos uma versão de nós parada na esquina de algum "e se". Esses dias me peguei fazendo exatamente isso. Não por saudade. Nem por arrependimento. Mas porque o tempo tem esse estranho talento de iluminar coisas que, quando aconteceram, pareciam completamente normais. As grandes mudanças quase nunca chegam fazendo barulho. Elas

Talvez eu também sinta falta de quem um dia fui

Eu entendo quando você diz que sente falta de quem eu era. E talvez a parte mais difícil dessa conversa seja admitir que eu também sinto. Não digo isso com nostalgia bonita. Digo com a honestidade de quem sabe que algumas versões de nós ficam pelo caminho sem que a gente perceba exatamente em qual curva as deixou. Eu era mais impulsiva. Acreditava que sentir tudo era uma prova de que estava vivendo. Colocava intensidade onde hoje coloco silêncio. Corria atrás, insistia, me ex

A imaginação nunca cobra a conta

Um rastro de destruição... Foi isso que eu deixei pelos caminhos em que passei. Intencional? Acho que não. Eu só fui vivendo. Experimentando. Atravessando fases como quem acredita que amadurecer também é tentar. E, no meio disso tudo, algumas pessoas ficaram pelo caminho. Outras levaram pedaços meus. E eu, sem perceber, também levei pedaços delas. Existe uma culpa silenciosa em descobrir que alguém se machucou enquanto você só estava tentando descobrir quem era. Mas existe um

A Estação Que Nunca Cheguei

Não, eu não esqueci a música que sonhava tocar no nosso casamento. As notas ainda ecoam em algum lugar da minha memória, como os pássaros em um amanhecer de domingo. Às vezes discretas, quase imperceptíveis. Às vezes tão escandalosas que parecem interromper o silêncio dos dias. Mas elas continuam ali. Sempre estiveram. Durante muito tempo eu achei que estivesse me afastando daquela canção. Hoje, penso que talvez estivesse apenas dando voltas ao redor dela. Porque algumas lemb

Faça parte da nossa lista de emails

© 2023 por Amante de Livros. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook ícone social
  • Twitter ícone social
  • Instagram ícone social
  • White Facebook Icon
  • White Twitter Icon
  • Branco Ícone Google+
bottom of page