A maior saudade não tem nome. Tem presença

Se me perguntarem sobre saudade, talvez eu tenha dificuldade em responder.
Não porque ela seja difícil de explicar, mas porque se tornou ampla demais diante de tudo o que a gente vive no dia a dia.
Talvez eu sinta saudade de gente que ainda é gente de verdade. Gente que fala olhando nos olhos. Gente que se importa em saber se quem está ao lado teve um dia bom. E, quando descobre que não teve, permanece ali, interessada, sem pressa de ir embora.
Talvez eu sinta saudade desse entusiasmo simples de cuidar.
No meio da correria, entre tudo o que é e tudo o que precisa ser feito, sinto falta de quem entende que, às vezes, o maior gesto é apenas permanecer. De gente que se permite um dia, dois ou o tempo que for necessário. De quem sabe pedir desculpas sem transformar o perdão em cobrança.
Sinto saudade de gente que senta em um banco de praça, já desgastado pelo tempo, apenas para observar a lua cheia e ver as crianças brincando, fascinadas pelos brinquedos mais coloridos do parque.
Sinto saudade dos dias comuns. Daqueles em que a única obrigação era ficar na varanda, olhando uma tarde chuvosa passar, sem se preocupar com os ponteiros do relógio. Sem saber se era cedo ou tarde, manhã ou noite. Apenas deixando o tempo acontecer.
O que eu realmente sinto saudade é do toque que acontece antes mesmo das mãos se encontrarem. Da presença que não exige nada em troca. De gente que simplesmente sabe estar.
Sinto saudade de quem repara nos passarinhos cantando, no café sendo coado pela manhã, no cheiro que invade a casa e transforma o cotidiano em abrigo.
Nossa… quanta saudade.
Saudade de um tempo que talvez nunca tenha sido sobre o tempo.
Era sobre as pessoas.
Renata Rocha




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