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   Renata Rocha

​

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

​

Talvez a Próxima Vida Seja uma Desculpa

Foto do escritor: Renata Rocha
Renata Rocha
19 de jul.
2 min de leitura

Atualizado: 23 de jul.

Existe uma frase que as pessoas repetem quando não sabem mais o que fazer: “Talvez a gente funcione na próxima vida.”


E eu fico pensando no peso dessa frase.


Porque talvez eu nunca tenha desejado uma próxima vida ( acredite, eu nunca quis). Eu só queria que esta tivesse dado certo.


Perdi a conta de quantas vezes ouvi as tuas músicas. Principalmente aquela que fala da estação, do bilhete, da viagem que nunca aconteceu. Engraçado como uma canção consegue visitar lugares onde duas pessoas nunca tiveram coragem de entrar.


Se eu precisasse responsabilizar alguém, talvez escolhesse a mim.

Talvez eu não tenha lutado o suficiente. Ou talvez nós duas não tenhamos.


Porque existe uma pergunta que não para de me perseguir: se um sentimento continua vivo depois de tanto tempo, mesmo sem ter tido espaço para existir, será que ele não merecia mais uma tentativa?


Nem que fosse para fracassar de verdade.


Nem isso nós fizemos.


A verdade é que desistimos antes de descobrir quem poderíamos ser.


E nem gosto de dizer que paramos no meio do caminho, porque não existiu meio. Nós nem começamos.


Foi mais fácil atribuir tudo ao tempo errado, ao passado, ao medo, às circunstâncias… Agora até à próxima vida.


Coitada dessa próxima vida.


Colocaram sobre ela a responsabilidade de reunir duas pessoas que talvez nunca mais se encontrem nesta.


Não parece injusto?


Talvez o nosso maior erro não tenha sido amar pouco.


Talvez tenha sido conversar de menos.


Enquanto a rotina ocupava todos os espaços, nós fomos nos acostumando com a ausência uma da outra. Cada uma tentando sobreviver aos próprios dias, acreditando que depois haveria tempo para aquela conversa olho no olho. Esse depois nunca chegou.


Hoje foi um daqueles domingos em que alguma coisa desmoronou dentro de mim.

Não porque você foi embora hoje. Mas porque, pela primeira vez, eu senti que talvez você realmente tenha ido. E existe uma diferença enorme entre saber que alguém partiu e finalmente sentir essa partida.


Dói.


Eu sei que passa.


A vida sempre encontra um jeito de seguir em frente.


Mas enquanto não passa, dói.


Enquanto escrevo, as lágrimas caem sobre o teclado desse computador, que continua funcionando sem entender que, do outro lado da tela, alguém tenta encontrar palavras para explicar uma ausência.


Só que a verdade é muito mais simples.


Eu não queria te encontrar em outra existência.


Eu queria que esta fosse a nossa.


Queria uma sala com retratos envelhecendo nas paredes. Um casamento simples, de frente para o mar. Eu tomando café sem açúcar, você reclamando do meu gosto amargo enquanto adoçava o seu até ficar impossível para mim.


Era isso.


Nunca sonhei com eternidades.


Sonhei com domingos.


E talvez seja justamente isso que mais doa.


Não a história que terminou.


Mas a história que nós deixamos de viver.


Então, ainda hoje, existe uma pergunta para a qual eu não encontro resposta.


Se havia tanto sentimento…


Por que a gente não tentou?


E se tentou um pouco…


Por que não tentou mais?


Talvez porque, às vezes, deixar ir exige menos coragem do que ficar.


E essa talvez seja a despedida mais triste de todas: a de um amor que não acabou.


Apenas não aconteceu.


Renata Rocha

 
 
 

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