A imaginação nunca cobra a conta
- Renata Rocha

- 30 de jun.
- 2 min de leitura
Um rastro de destruição...
Foi isso que eu deixei pelos caminhos em que passei.
Intencional? Acho que não.
Eu só fui vivendo. Experimentando. Atravessando fases como quem acredita que amadurecer também é tentar. E, no meio disso tudo, algumas pessoas ficaram pelo caminho. Outras levaram pedaços meus. E eu, sem perceber, também levei pedaços delas.
Existe uma culpa silenciosa em descobrir que alguém se machucou enquanto você só estava tentando descobrir quem era.
Mas existe uma verdade ainda mais dura: ninguém consegue viver a vida que o outro imaginou para si.
A gente mal consegue entender o que sente. Como poderia ser responsável pelo sentimento de outra pessoa?
Esses dias me peguei pensando se não seria mais justo deixar algumas histórias existirem apenas na imaginação.
Sabe aquele “e…”?
“E se tivesse acontecido?”
“E se a gente tivesse ido pela esquerda e não pela direita?”
Na imaginação, tudo encontra um jeito de dar certo. O amor não desgasta. As diferenças não pesam. O tempo não atrapalha. A vida não interfere.
A imaginação é generosa.
Ela nunca mostra a conta que chega depois.
Talvez por isso algumas histórias sejam tão bonitas dentro da nossa cabeça: elas nunca precisaram enfrentar a realidade.
Mas nós somos teimosos.
A gente não nasceu para contemplar possibilidades. A gente quer respostas.
Então atravessa a linha.
Arrisca.
Confunde coragem com necessidade.
E pensa: “Vai que dá certo.”
Às vezes dá.
Outras vezes, deixa um rastro.
E é justamente aí que mora a ironia.
Antes de viver, a gente calcula tudo. Cria cenários. Planeja rotas de fuga. Jura para si mesmo que, se não der certo, basta recalcular.
Mas ninguém ensina o que fazer quando o mapa acaba.
Quando você chega exatamente no lugar onde nunca imaginou chegar.
Quando o plano termina e a realidade pergunta, em silêncio:
“E agora?”
Talvez crescer seja descobrir que nem toda decisão foi um erro.
Algumas foram apenas o preço de deixar a imaginação e encontrar a vida como ela realmente é.
Porque a verdade é que não são os tombos que nos quebram.
O que nos quebra é perceber que existem caminhos sem retorno.
E, ainda assim…
Se eu pudesse voltar naquele exato instante em que a vida sussurrou “é melhor não”…
Não sei se eu ouviria.
Porque essa talvez seja a nossa maior contradição.
A gente aprende com as cicatrizes.
Mas quase nunca antes de sangrar.
Renata Rocha




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