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   Renata Rocha

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

Casa Nem Sempre É Morada

  • Foto do escritor: Renata Rocha
    Renata Rocha
  • há 7 dias
  • 2 min de leitura

É curioso como as nossas maiores certezas, às vezes, são justamente aquilo que mais nos faz duvidar.


Tenho a impressão de que escrevi sobre isso recentemente. Sobre continuar mesmo durante a tempestade. Sobre seguir quando tudo parece desabar e quando a vontade é apenas esperar a chuva passar.


Talvez eu tenha escrito. Talvez eu só tenha pensado.

Às vezes já não sei distinguir as coisas que vivi das que escrevi.

A verdade é que existem dias em que estamos tão bem que isso parece errado. Como se a tranquilidade viesse acompanhada da expectativa de que alguma coisa ruim esteja prestes a acontecer.


E então basta um detalhe.

Um comentário perdido nas redes sociais. Uma fotografia. Um recomeço que não é o nosso.

Você vê alguém reconstruindo a própria vida. Em outro lugar. Ao lado de outra pessoa. Vivendo, talvez, aquilo que um dia você imaginou viver.

E, por um instante, todas as certezas balançam.


É engraçado porque a gente sabe que deixar ir foi a decisão certa. Sabe que algumas histórias terminam justamente porque continuar seria uma forma lenta de desaparecer.

Mesmo assim, a dúvida aparece.

Não porque a decisão tenha sido errada.

Mas porque o coração demora um pouco mais do que a razão para aceitar aquilo que já aconteceu.

Talvez as dúvidas não existam para nos impedir de seguir. Talvez elas existam para serem acolhidas. Porque, quando deixamos de tratá-las como inimigas, elas passam a ser apenas parte do caminho.


O ser humano é estranho.


Eu, às vezes, me acho especialmente estranha.


A gente se preocupa com o que pensam da gente, mesmo quando ninguém está pensando. Lê mensagens que não foram escritas para nós. Enxerga indiretas onde existe apenas silêncio.

E, principalmente, tem medo dos recomeços.

Por causa desse medo, muita gente passa uma vida inteira chamando de amor aquilo que já virou hábito. Chamando de paz aquilo que é apenas comodidade.


E não estou falando de estabilidade financeira ou de estrutura.


Estou falando daquele conforto que nos convence a permanecer onde já não cabemos.


A comodidade, muitas vezes, veste a roupa da segurança.

E talvez esse seja um dos seus maiores perigos.

Costumo dizer a mim mesma que sou corajosa. Que gosto de me arriscar. Que vou atrás das coisas mesmo quando as chances de dar certo parecem pequenas.

Mas acho que a coragem não nasceu em mim.

Ela nasceu do cansaço.

Cansei de imaginar como teria sido.

Hoje prefiro descobrir.

Pode dar errado.

E, se der, pelo menos terá sido uma experiência vivida, não uma hipótese carregada por anos.

Porque existe um peso enorme em passar a vida inteira imaginando quem poderíamos ter sido se tivéssemos tido coragem de sair daquilo que apenas parecia seguro.


No fim, a gente aprende uma verdade simples, mas difícil de aceitar:

Casa nem sempre é morada.


Às vezes, é só o lugar onde a gente ficou tempo demais.


Renata Rocha

 
 
 

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