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   Renata Rocha

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

VIOLA CINZA

  • Foto do escritor: Renata Rocha
    Renata Rocha
  • 3 de jun. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 31 de ago. de 2021

O mesmo violão que um dia embalou nossas madrugadas, hoje fica pelo canto da sala. Quase sem cor, esquecido pelo tempo e os amores que se foram. O que houve? Por acaso lhe faltou tempo? Lhe faltou coragem ou apenas "desaprendeu" a toca-lo? Seria o medo de "ensaiar" mais uma letra que lembrasse as fugas repentinas pelas tardes quentes que faziam em Março daquele ano. A viola cinza não "respira" como antes. Já não rima tão bem. Talvez haja um nó na garganta que impeça a voz de fluir naturalmente, então a viola não parece fazer tanto sentido como antes. Ela é mais uma, dentre tantas outras coisas que ficaram paradas no meio do percurso. Flores morreram. Anéis perderam o brilho. As cordas de silicone, na vã tentativa de decifrar mais uma estrofe se esticaram ao máximo e não resistiram a tamanho esforço. Até o mar parece-me mais calmo do que antes . Estamos todos cansados. Cansados de tentar "conciliar" presente e passado, e se, maturidade é aprender a caminhar com os dois lado a lado, desculpa, ainda há muito o que aprender. Há muito o que viver. Há muito o que percorrer. Se é verdade que nosso passado é um reflexo e talvez uma moldura para nosso futuro, porque nem nós nos sentimos dessa forma? Afinal de conta, o tempo deveria servir para isso. As lembranças também. Uma vez alguém me disse que se ainda causa "incomodo" ao pensar é porque ainda não passou tempo suficiente. Talvez seja isso. Enquanto o tempo passa, a viola fica mais esquecida num canto qualquer. E a madrugada nem inspira mais canções como antes. Então, enquanto essa "parceria" de antes e agora não acontece, cabe à nós a simples e saudosa espera. Até que enfim, possamos lembrar com sorriso amarelo, mas transparente para si o que um dia fora tanto negado. Até lá, peço apenas que a velha viola cinza seja lembrada com o carinho que um dia fizera alguém sorrir no meio da noite de uma quinta qualquer.


Para você que possa ter esquecido sua viola. Carinhosamente.


Renata Rocha RR

 
 
 

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