As versões que deixamos para trás...
- Renata Rocha

- há 11 horas
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Talvez o amadurecimento aconteça assim: silenciosamente.
Não chega fazendo alarde, nem bate à porta avisando que está entrando. Ele se instala devagar, nas pequenas mudanças do dia a dia, nos detalhes que quase passam despercebidos e que, quando percebemos, já transformaram quem somos.
É curioso olhar para trás e encontrar versões antigas de nós mesmos. Aquele jeito de falar, os gostos, os medos, os sonhos. O perfume que marcou uma fase da vida já não é o mesmo. A voz ganha outro tom. O olhar aprende a sustentar outros olhares. Até os sabores parecem diferentes.
Algumas pessoas carregam a mesma fragrância por toda a vida. Outras escolhem experimentar novos aromas, como quem decide descobrir novos caminhos. E talvez viver seja exatamente isso: permitir-se mudar.
Porque a vida não é estática. Não é imóvel. A vida é movimento.
É como a água que faz girar um moinho. Enquanto corre, gera energia, transforma, impulsiona. E nós também somos assim. Seguimos em frente, criando novos hábitos, abandonando outros, reinventando formas de sentir, pensar e existir.
Com o tempo, mudam os aromas que nos encantam. Mudam as pessoas que admiramos. Mudam as certezas que jurávamos eternas. Alguns medos ficam pelo caminho; outros chegam sem pedir licença. E, entre perdas e descobertas, vamos construindo novos compassos para a nossa caminhada.
Talvez o mais difícil seja justamente isso: deixar ir aquilo que fez parte de nós por tanto tempo. Há hábitos que parecem raízes. Há versões nossas que insistem em permanecer. Mas crescer exige movimento. E movimento exige despedidas.
A vida segue nos transformando, mesmo quando não percebemos.
E talvez amadurecer seja compreender que não somos feitos para permanecer iguais. Somos feitos para mudar, aprender, partir e recomeçar. Afinal, viver não é resistir às mudanças.
Viver é ter coragem de acompanhá-las.
Renata Rocha




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