Tem encontros que não obedecem relógio
- Renata Rocha

- 24 de abr.
- 2 min de leitura
A madrugada deixa de ser madrugada, o amanhã deixa de importar, e o mundo inteiro parece ficar em pausa (só pra caber aquele instante). Não é sobre estar acordado ou não. É sobre não querer sair dali.
Existe uma linha invisível que a gente aprende a percorrer no outro. Não com pressa, não com roteiro. É quase como descobrir um mapa que nunca esteve à venda, só se revela pra quem presta atenção.
E você presta.
Nos detalhes. Nos silêncios. No jeito que o olhar segura mais do que deveria. No riso que escapa no meio da tensão. No toque que começa leve e, quando você percebe, já diz tudo sem precisar explicar nada.
É estranho como alguém pode ser tão novo e, ao mesmo tempo, tão familiar.
Como se vocês tivessem se perdido em algum lugar do tempo e agora estivessem, finalmente, se encontrando sem saber exatamente de onde veio essa certeza.
E aí o mundo lá fora continua — trânsito, trabalho, obrigações — mas ali dentro tudo desacelera. Ou talvez acelere demais. Difícil saber.
Só dá pra sentir.
É intensidade com calma. É vontade com cuidado. É aquela mistura perigosa de curiosidade com entrega.
E tem algo quase irônico nisso tudo…
porque vocês ainda estão se conhecendo — nomes, histórias, manias —
mas já existe uma intimidade que não se explica.
Não vem do tempo.
Vem da conexão.
Das conversas que atravessam a noite.
Dos olhares que dizem “fica mais um pouco”.
Da vontade de não interromper o que nem começou direito — mas já parece grande demais pra ser pequeno.
E no meio disso tudo, você entende uma coisa:
Nem todo encontro precisa fazer sentido.
Alguns só precisam acontecer.
E quando acontecem de verdade…
marcam.
No corpo, sim.
Mas principalmente na memória…
Renata Rocha




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