TEATRO REAL
- Renata Rocha

- 28 de ago. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de out. de 2023
Por trás de todo elogio existe o temido “MAS”....
“MAS se eu fosse você eu faria assim..”
“MAS poderia ter feito assim…”
“Foi bom, MAS senti falta daquilo…”
O que ninguém vê por trás das cortinas são os calos nos pés, os machucados nos joelhos cobertos por tecidos caros que enfeitam a pele.
O que ninguém vê atrás das cortinas são as pegadas repetidas no chão do palco das noites de ensaio. De aperfeiçoamento. De muitas falhas e poucos acertos.
O que não enxergamos por trás das cortinas, nos bastidores, onde a luz não é tão reluzente e os aplausos estão silenciados são as lágrimas recolhidas. As inseguranças amarradas e o grito que explode o peito como um pedido de socorro.
O que enxergamos por trás das cortinas é o que de fato é real, sem máscaras, sem maquiagem, peruca, escova ou prancha de cabelo. Atrás delas temos o roxo das olheiras, as cicatrizes deixadas pelo tempo, mas que permanecem ali. Como tatuagens que marcam determinados momentos de nossas trajetórias.
O foda dessas cortinas é porque elas escondem a parte essencial de cada um de nós, nosso EU real. Nossos medos, falhas e defeitos. Ao longo do tempo eu me peguei refletindo sobre quão influenciadas nós somos. E nem me refiro à coisas boas ou ruins, me refiro ao contexto como um todo. Cada parte de nós e dos ambientes que habitamos. Insistimos em querer alcançar o inalcançável. A perfeição em vida, o mais próximo da verdade existente no planeta. Às vezes nem sabemos o motivo de fazermos o que fazemos, apenas fazemos ou reproduzimos. Como se buscássemos por uma aprovação infinita de terceiros, quando, na verdade, deveríamos nos questionar de o porquê tanta busca, ou melhor, por quem?
A busca pelo aperfeiçoamento alheio nos coloca em uma zona desconhecida, e quando o terreno não é o que estamos acostumados, a possibilidade de tropeçarmos nas menores pedras e cair no meio do caminho são grandes. Tombos esses, inclusive que nos deixam cada vez mais distantes de quem fomos um dia.
Quando estamos concentrados apenas em buscar o que os outros querem, esquecemos quem somos e o que gostaríamos de ser ou ter, isso por que vivemos uma vida que não nos pertence. Em alguns casos nem é de maneira proposital, é apenas automático. É como se isso fosse necessário para alguém ser aceito ou se inserir em determinados planos e mundos. Mas aí eu me pergunto, se não sou eu ali, como eu posso saber se é isso que me cabe? que me basta?
Ser apenas o que querem que eu seja é o suficiente? Até quando?
P.s Renata Rocha




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