Superfaturada de Mim
- Renata Rocha

- 31 de jul. de 2025
- 1 min de leitura
A gota d’água que transborda o copo.
O respiro preso pela pressa.
O “não” que deveria ter escapado antes daquele “sim” desajeitado.
Quem nunca se sentiu assim depois de um longo dia que atire a primeira desculpa.
No caminho entre o trabalho e a parada de ônibus, desacelero.
É como se o vento frio que toca os dedos das minhas mãos quisesse me dizer algo.
Talvez esteja me pedindo calma.
Talvez esteja só fazendo companhia.
Prolongo o trajeto como quem tenta segurar o tempo.
Cada passo mais lento.
Cada segundo mais meu.
Repasso mentalmente as últimas horas.
Respiro fundo.
Me pergunto em silêncio:
“Meu Deus, por que eu estou tão cansada?”
Um soluço engasgado atravessa o peito e rompe a linha da razão.
A verdade?
A parte mais dura de ser forte demais é que, em algum momento, a conta chega.
E, nossa… ela chega superfaturada.
Não é que eu queira uma vida fácil.
Mas será que precisava ser tão difícil assim? (rs)
Respiro de novo.
Mais fundo.
Olho ao redor e vejo as primeiras flores dos ipês.
Elas anunciam uma nova estação — talvez também um novo ciclo dentro de mim.
Penso no quadro branco da sala.
Nos planos meio apagados, nos sonhos que preciso reescrever.
Mais uma vez, uma enxurrada de pensamentos me atravessa:
Será que estou no caminho certo?
Ou sigo apenas no modo automático, sobrevivendo aos dias que ainda me pertencem?
Não.
Isso não é um adeus.
É só mais um daqueles dias nublados,
em que a alma pesa,
e tudo ao redor parece ruído.
Dias assim também passam.
Mas, antes, eles vêm nos lembrar de sentir.
Renata Rocha




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