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   Renata Rocha

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

O Tempo Passou. Você Não

  • Foto do escritor: Renata Rocha
    Renata Rocha
  • 2 de jun.
  • 2 min de leitura

É engraçado como a vida segue. Ela segue tão rápido que, às vezes, faz a gente acreditar que deixou certas histórias para trás. Os anos passam, as cidades mudam, os rostos mudam, os sonhos mudam. A gente aprende a trabalhar mais, a sofrer diferente, a esconder melhor o que sente. E então, quando menos espera, uma lembrança encontra uma fresta e volta.


E quando volta, não pede licença.


Basta uma voz. Um olhar. Uma fotografia. Uma conversa qualquer.


De repente, dez anos desaparecem.


Aquela casinha amarela ainda está lá. A cozinha bagunçada ainda existe. Os filhos que nunca nasceram ainda correm pelos corredores da imaginação. Os planos interrompidos continuam exatamente onde foram deixados. Como se o tempo tivesse passado para tudo, menos para aquele pedaço da história.


Talvez seja isso que os amores inacabados fazem.


Eles não terminam de verdade.


Eles apenas aprendem a ficar em silêncio.


A gente guarda tudo em uma caixa qualquer dentro do peito e segue vivendo. Convence a si mesmo de que superou, de que amadureceu, de que já não importa. Mas basta abrir a tampa por alguns segundos para perceber que nada foi embora. Estava tudo ali. Quieto. Esperando.


E a parte mais difícil não é descobrir que ainda existe amor.


A parte mais difícil é perceber que você continua reconhecendo como lar um lugar onde nunca chegou a morar.


Porque existem pessoas que passam pela nossa vida.


E existem aquelas que permanecem.


Mesmo ausentes.


Mesmo distantes.


Mesmo impossíveis.


Você pode chamar de nostalgia. Pode chamar de saudade. Pode chamar de paixão mal resolvida. Pode chamar de ilusão. Não importa o nome que escolham dar.


No fundo, você sabe.


Você sabe quem era a pessoa que queria ao seu lado quando imaginava o futuro.


Você sabe quem aparecia nos sonhos que não teve coragem de contar.


Você sabe quem continuou ocupando um espaço que ninguém conseguiu preencher completamente.


Mas dez anos também são muito tempo.


Tempo suficiente para mudar de opinião, mudar de cidade, mudar de vida.


Tempo suficiente para perceber que você não é mais aquela menina.


E talvez seja essa a parte mais cruel de todas.


Porque quando você olha para trás, não sente falta apenas de alguém.


Você sente falta de quem era quando amava aquela pessoa.


E então entende que não existe retorno.


Existe apenas encontro.


Duas pessoas não voltam para o lugar onde pararam dez anos atrás.


Porque aquele lugar já não existe.


A única pergunta que fica é se, depois de tudo o que aconteceu, depois de tudo o que foram obrigadas a se tornar, ainda conseguiriam escolher uma à outra mais uma vez.


E talvez seja por isso que certos amores sobrevivem ao tempo.


Não porque deram certo.


Mas porque nunca deixaram de ser uma possibilidade dentro da gente.


Renata Rocha

 
 
 

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