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   Renata Rocha

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

A liberdade de não precisar ser nada além de mim

  • Foto do escritor: Renata Rocha
    Renata Rocha
  • 2 de jun.
  • 2 min de leitura

Esses dias me perguntaram se eu sou mesmo essa pessoa que parece ver a vida sempre pelo lado bom. A engraçada. A leve. A que está sempre com um sorriso pronto.


E a verdade é que eu não sei.


Nunca fui a mais engraçada da turma. Nunca fui a mais bonita da roda. Talvez eu tenha sido apenas uma das mais esforçadas. Daquelas que aprendem a se adaptar, que seguem em frente mesmo quando ninguém percebe o quanto estão cansadas.


Porque eu também tenho meus dias de silêncio.


Dias em que não quero conversar com ninguém. Dias em que não quero explicar nada. Dias em que só quero existir.


E talvez seja justamente isso que mudou.


Cheguei num ponto da vida em que entendi que o trabalho estressa, as cobranças cansam e, às vezes, a gente se desgasta até por estar desgastado. Mas também entendi que poucas coisas são tão transformadoras quanto atravessar tudo isso e perceber que você não é mais a mesma pessoa.


A ansiedade diminui.


A necessidade de provar alguma coisa diminui.


A urgência de ser o melhor para todo mundo diminui.


A gente aprende a fazer, resolver e seguir. Aprende que nem tudo depende do nosso controle.


Tanta coisa mudou nos últimos anos. Nos últimos meses.


E olhando para trás, percebo que fui me transformando de dentro para fora.


Não na pessoa que os outros queriam que eu fosse.


Mas na pessoa que eu sempre quis ser.


Há pouco tempo eu disse que, desta vez, seria eu quem escolheria quem quero ser. Não deixaria mais essa decisão nas mãos de ninguém.


E hoje eu escolho.


Escolho acreditar que talvez eu seja uma pessoa legal.


Escolho não me cobrar por tudo.


Escolho deixar a louça na pia de vez em quando.


Escolho arrumar os lençóis, voltar para a cama e descansar sem culpa.


Escolho não precisar representar uma versão perfeita de mim mesma.


Porque, depois de tanto tempo tentando corresponder às expectativas dos outros, descobri que a maior liberdade que existe é simplesmente poder ser eu.


Sem personagem.


Sem roteiro.


Sem aprovação.


Só eu.


Renata Rocha

 
 
 

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