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   Renata Rocha

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

Sobre tudo que não fizemos.

  • Foto do escritor: Renata Rocha
    Renata Rocha
  • 4 de jun. de 2019
  • 2 min de leitura

Você nunca disse que seria para sempre, eu por outro lado, nunca achei que acabaria tão de repente. As brigas foram surgindo, nos engolindo. Culpa minha, culpa sua? quem vai saber. Talvez se tivéssemos falado tudo que estava preso na garganta e nos engasgava aos poucos, talvez se tivéssemos ido mais à beira do mar, olhado mais o pôr do sol, dançado um pouco mais ao som das batidas dos nossos corações ou simplesmente, estado mais. Talvez, talvez, nada. E se tivéssemos feito tudo ao contrário? Se tivéssemos falado e depois brigado? Se tivéssemos acordado e depois dormido?, se tivéssemos vestido e depois banhado?. E se, e se, nada. O que nos cercou, o que nos separou veio de nós mesmos e por algum tempo tentamos segurar ao máximo, mas não máximo suficiente, seguramos por nos amar demais, por nos querer demais.

Fomos aos poucos jogando tudo para debaixo do tapete da sala, até que um dia não havia mais espaço embaixo dele e então o vento espalhou toda a sujeira pela casa e ela invadiu cada canto do nosso amor e parece que não conseguimos limpar tudo. Um ficou com o espanador na mão e o outro fugiu correndo da alergia que o atacava e não conseguimos encontrar uma solução. Penso quê, se tivéssemos fechado todas as janelas, esperado o vento passar e apenas tentado uma vez mais encaixar as coisas, os móveis internos, nós. Talvez pudéssemos estar, agora, enfrente a tv assistindo algum daqueles programas tediosos de domingo ou tomando um dos nossos chás e fazendo mil planos para o futuro, nosso apartamento, nossos horários, nossas viagens de férias...Talvez pudéssemos fazer tudo isso e muito mais senão tivéssemos simplesmente, desistido naquele instante, na primeira crise, na primeira prova. Talvez e talvez, senão tivéssemos partido em direções tão opostas, pudéssemos estar exatamente aqui, olhando este mar e disputando quem amava mais e este texto, ah, este texto, de fato não existiria.




Renata Rocha RR

 
 
 

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