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   Renata Rocha

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

RESQUÍCIOS

  • Foto do escritor: Renata Rocha
    Renata Rocha
  • 18 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

Só não sente saudade, quem nunca amou de verdade. É estranho, né? se “desfazer” de um sentimento. De um item que, por alguma razão, em determinados momentos nos marcaram - pele e alma….São resquícios


Aos poucos eu fui organizando na nova rotina as memórias. Fui me desfazendo dos adereços que nos enfeitaram por algum tempo ou que nos identificavam aos olhos dos outros. Das histórias construídas ao longo de cada cair e levantar, que, por alguma razão foi decidido em dupla continuar….


Olhando rápido e de longe até parece que foi de uma hora para outra, mas a verdade é que demorou muito. Muito mais do que eu imaginava ou gostaria . Alguns dias eu nem conseguia levantar da cama. Apenas o corpo saia. A alma ficava entregue às cobertas molhadas de suor e lágrimas - vestígios da noite anterior-.


É. Não foi fácil. Muito menos de uma hora para outra. Se desfazer das lembranças construídas é muito mais difícil do que jogar pela janela o anel repleto de amassados ou arranhões que marcou o terceiro dedo da mão esquerda. Marca, inclusive, que me fez querer voltar muitas e muitas vezes e muitas outras vezes. Meu Deus, como eu quis. Como eu relutei. Insisti. Fui e até tentei - mais de duas vezes, inclusive - . Busquei. Me isolei de quem eu era por algumas vezes. Insisti. Mas algo sempre saia do eixo. O nó feito na ponta da corda nunca era forte o suficiente e acabou não suportando a força da pressão diária.


Poderíamos culpar qualquer um desses fatores ou os que não mencionamos aqui para justificar esse possível fracasso. Ou podemos apenas fingir que nenhum deles existiu e que, o único culpado, de fato, seja o destino. O momento em que os astros estão alinhados ou qualquer crença que se acredite. Talvez só não fosse para ser e não foi. A gente vai repetindo para o vento com nó na garganta “Vida que segue” , a gente reproduz em voz suave para dentro e quase sem mexer nos lábios. Segue como? para qual direção?


Mas, ao final disso tudo aqui eu posso concluir talvez que , essa pergunta pode não ter nenhuma resposta exata agora.



Está liberado não estar bem. Não querer socializar. Não acreditar que um outro amor seja possível. Que, por agora, o seu amor lhe basta para o todo sempre. Mas, somente está liberado porque, lá no fundo - dos seus olhos e do coração- você sabe que nem mesmo essa dor toda ai ou esses traumas vão ser para sempre.


Permita-se vivenciar a experiência que é viver os seus dias - alegres ou tristes - no final da estrada você também vai agradecer. Inclusive pelas lembranças “desfeitas” daquilo que um dia significou tanto..


Sofra. Chore. Desabe sobre seu travesseiro e deixe o rosto inchar, mas só dê à todos esses sentimentos o tempo necessário e que eles de fato merecem. Nenhuma porcentagem a mais. Acredite, nem mesmo todas essas inseguranças ai valem todo o seu tempo.


Vai dar certo, lembra?


Renata Rocha




 
 
 

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