READEQUAÇÕES
- Renata Rocha

- 24 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
Planos mudam. Ideias se modificam. Objetivos se desfazem e se reconstroem. Dias passam e as noites correm. Veloz com a velocidade da luz que ecoa no silêncio gritante da alma vazia que, sozinha, reluta ao tentar encontrar o ar perdido dentro de si. As horas saem na frente do despertador que chama já tarde do dia. A água apressada que percorre o corpo durante o banho também parece ter pressa em correr até o ralo depois do box. Vida corrida, dias curtos e longos.
Planos esquecidos na gaveta. Desejos readequados. Sonhos abandonados nas esquinas dos dias que não voltam. Adequações necessárias que consomem o restante da energia armazenada em si. Olhos que fazem refletir o mar que perdeu gotas d’água que escoaram para caminhos opostos. Sem previsão de novas cheias.
Caminhos se perdem e se cruzam novamente. Quem vai, vai de verdade?
E quem fica, fica mesmo?
Difícil é pensar que seria fácil não pensar .
Dias lentos. Pressa incessante por chegar - onde quer que seja- . Idas e voltas por caminhos não sinalizados e já tão conhecidos pelos viajantes das estradas longas.
Caos interno. Serenidade distante no olhar de quem observa de longe. Retornos desconhecidos e estratégias inventadas para tentar chegar lá. Mas, o que tem lá? Onde fica?
Por que eu não te enxergo no espelho que está à minha frente? Se eu sair e voltar de novo, dá certo? Sair de onde? Voltar para o quê?
Planos mudam. Ideias se modificam.Percursos são readequados. Nem sempre a linha reta vista de longe da estrada é totalmente plana ou livre dos desníveis camuflados pela tinta preta que recobre os quilometros seguintes.
Como é bom estar novamente em casa….
Renata Rocha




Nota: Eu não me lembro ao certo quando eu comecei a escrever, se é que posso dizer assim. Mas, de algum modo, isso é quem eu sou hoje. Sempre que me percebo longe demais, é aqui que desejo estar. Perdi a conta de quantos rascunhos aquele caderno velho perdido guarda ou o bloco de notas cheio anuncia. Dizem que, melhor do que ir, é ter para onde voltar. Sempre que eu vou e fico tempo demais fora daqui é como se algo em mim fosse se perdendo e eu não consigo me "enxergar" totalmente. Então, sim, melhor do que ir, é saber que temos para onde retornar quando a garganta começar falhar e o choro insistir em ficar...É bom voltar.