Quarta-feira, 22h
- Renata Rocha

- 20 de mai.
- 1 min de leitura
Tem dias em que a gente chega em casa sem saber exatamente o que sente.
Não sabe se pensa, se respira fundo, se responde as mensagens acumuladas, se resolve o problema que ficou ecoando o dia inteiro… ou se simplesmente senta e deixa o mundo continuar girando sozinho por alguns minutos.
Porque durante o dia não existe tempo.
Tempo pra sentir, pra entender, pra organizar a bagunça da cabeça.
E talvez uma das melhores sensações da vida seja justamente essa: chegar em casa depois de um dia intenso demais.
Tirar os brincos apertados como quem abandona um personagem.
Soltar o sutiã que comprime o corpo e, às vezes, até os pensamentos.
Prender o cabelo naquele coque desajeitado, sem estética, sem intenção, sem precisar impressionar ninguém.
Só existir.
O banho demorado começa a fazer sentido.
A água cai enquanto a cabeça revisita conversas, silêncios, respostas atravessadas, coisas que poderiam ter sido ditas de outro jeito.
Você pensa no que fez.
No que deixou de fazer.
No que talvez nunca tenha conseguido explicar.
E então percebe: já são 10 da noite.
10 da noite de uma quarta-feira qualquer.
A música ecoa pela casa vazia.
As luzes parecem mais baixas.
O cansaço fica espalhado pelos cômodos.
E por alguns segundos você não sabe se ainda está aqui…
ou se parte de você ficou presa em algum momento do dia que ainda não terminou dentro da cabeça.
Renata Rocha




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