Os olhos dela...
- Renata Rocha

- 13 de out. de 2023
- 2 min de leitura
Ela tem aqueles olhos fundos, sabe? Daqueles que a gente se perde ao passo que vai se deixando levar e se envolver.
Todos os dias uma história nova. Uma descoberta a cada piscar que vem no desvio do olhar. Olhos pequenos e puxados...
Olhar nos olhos dela é como sentar à beira da praia e contemplar a imensidão do mar. A gente quase sempre sabe o que pode encontrar lá, mas a cada passo que nos distanciamos da areia e mergulhamos naquelas águas claras e densas , mais surpresos ficamos com o que podemos ver ou sentir . É como flutuar nas águas e, por um instante se permitir levar pelas ondas para ver onde vamos parar. Seja lá o que isso signifique ...
Olhar nos olhos dela é como simplesmente andar por uma estrada desconhecida em dias de domingo. Existem tantos caminhos. Possibilidades. Surpresas e cores que a gente só descobre e entende a medida que se permite seguir o percurso. Mesmo com medo. Mesmo com todas as dúvidas quanto à segurança que envolve a estrada... Mesmo com as irregularidades das pedras. Mesmo e, apesar, das inseguranças.
Olhar nos olhos dela é perder de vista o azul daquele céu em dias de sol durante o verão intenso que chega em julho e se estende até o vento suave e frio de outubro, quando as primeiras chuvas começam a sinalizar que o inverno não tarda a chegar.
Olhar nos olhos castanhos dela é como ver água e fogo tentando se encontrar. Eles lutam contra o que nem podem ver, mas continuam insistindo pelo simples fato de entenderem o lhes cabem. Parece impossível, mas é apenas difícil de encontrar o alinhameto correto entre um encontro e outro.
A profundeza dos olhos dela são como reflexos em cacos de vidros que se espalharam pelo chão após uma queda brusca de cima do balcão da cozinha empoeirada. Há neles tanto a contar. Tanto a saber. Alguns são mais felizes e calmos. Outros são mais difíceis de encarar, mas necessário. No final de tudo, todos eles são retratos de quem ela foi, se tornou e é.
Olhar nos olhos dela é como querer seguir as linhas do rosto sereno e macio. E se deixar levar para onde quer que o caminho indique. É como ver as possibilidades que ainda existem abaixo de toda aquela dor. Debaixo de todo sorriso que dia disfarçou o sofrimento encarado. É como se arriscar por tudo que ainda pode ser.
Olhar nos olhos dela é como tentar viver um dia de cada vez. Sem tanta pressa ou ilusão de uma vida perfeita.
Olhar nos olhos dela é acreditar que é possível estar junto, mesmo que distante geograficamente. Pois o olhar dela não mente, mesmo quando desvia.
Os olhos dela...
Renata Rocha




Comentários