O Caminho Que Leva a Ela
- Renata Rocha

- 4 de mai.
- 1 min de leitura
As costas dela desenham ondas -suaves, contínuas -como aquelas que o mar forma quando ninguém está olhando. Vão de um lado ao outro com uma calma quase hipnótica, até se encontrarem no centro, criando um traço único, um caminho que desce sem pressa.
E você acompanha.
Dos ombros, pelas laterais, até onde o corpo encontra o chão e se completa. Há uma cor ali que não se explica, não se sabe se brilha, se aquece, se chama. Só se sente.
E então o tempo muda.
O ritmo vem de cima, da respiração que nasce na garganta e percorre o corpo inteiro como uma melodia baixa. Tudo nela parece conversar sem dizer uma palavra. Há um convite que não é pedido, mas também não é negado.
A boca hesita por um instante.
Os olhos encontram os seus numa luz que não define -nem clara, nem escura- apenas suficiente para revelar o essencial.
E você vê.
Cada detalhe.
Cada movimento.
Cada silêncio carregado de intenção.
Ela se move como quem entende o próprio corpo. Como quem sabe exatamente o efeito que causa (ou talvez como quem simplesmente existe, sem esforço algum).
E isso basta.
O cabelo levemente desalinhado, os traços que se revelam aos poucos, os lábios que quase dizem algo, mas preferem guardar. Tudo nela é presença.
E você percorre esse caminho.
Uma vez.
Duas.
Quantas forem necessárias.
Não para entender, mas para sentir.
Porque há lugares que não foram feitos para serem explicados.
Só reconhecidos.
E é nesse instante que você percebe:
não é você que está explorando aquele universo…
é ele que, silenciosamente, já te encontrou primeiro.
Renata Rocha




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