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   Renata Rocha

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

O Barulho Estrondoso da Paz

  • Foto do escritor: Renata Rocha
    Renata Rocha
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Não procuro alguém para carregar os meus pesos. Carrego os meus há muito tempo. Não preciso de quem pague os meus boletos, organize a minha rotina ou resolva as pequenas urgências da vida. Para tudo isso, aprendi a me bastar.


O que procuro é outra coisa.


Procuro alguém diante de quem eu possa descansar as armaduras.


Alguém que me olhe nos olhos e entenda os silêncios que nem eu consigo traduzir. Que não transforme afeto em jogo, presença em estratégia ou sentimento em disputa. Porque a vida já é difícil demais para que o amor também precise ser.


Quero a simplicidade rara de encontrar um olhar no fim do dia e saber que posso voltar. Mesmo perdida entre multidões, mesmo depois das tempestades, reconhecer aqueles olhos que me dizem, sem uma única palavra: “Eu estou aqui.”


Quero alguém que se sente ao meu lado depois de um dia exaustivo, quando o mundo lá fora parece pesado demais. Alguém com quem eu possa dividir o cansaço, o estresse, os medos e as pequenas vitórias. Não para que um salve o outro, mas para que ambos encontrem abrigo na presença compartilhada.


Não busco dependência. Busco a liberdade de não precisar me defender o tempo inteiro.


Quero a paz de tocar uma mão e sentir que não preciso explicar quem sou. Quero dedos entrelaçados aos meus quando o silêncio invadir a sala, porque existem momentos em que os gestos dizem tudo aquilo que as palavras jamais conseguiriam alcançar.


Quero o barulho estrondoso da paz.


A tranquilidade de não precisar interpretar um personagem para ser amada. De saber que minhas cicatrizes não serão usadas como armas, que meu passado não servirá como sentença, mas como estrada. Afinal, cada passo que dei, cada erro, cada queda e cada recomeço me trouxeram até aqui.


E se estou aqui, é porque escolhi estar.


Quero alguém que compreenda que amar não é possuir, controlar ou exigir. É permanecer. É construir um lugar seguro onde possamos ser exatamente quem somos.


Um esteio.


Um porto.


Um lar.


Porque, no fim das contas, não procuro alguém para viver por mim. Procuro alguém com quem a vida, simplesmente, faça mais sentido ser vivida.


Renata Rocha

 
 
 

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