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   Renata Rocha

  Livros, Poesias,Velas e Vinhos

O amor não acaba, se transforma

  • Foto do escritor: Renata Rocha
    Renata Rocha
  • 4 de out. de 2020
  • 3 min de leitura

Não, o amor não acabou, tão pouco fora esquecido. Ele se transformou e se refez...

Se transformou em um sentimento tão generoso que, nada seria mais justo do que ainda ser amor. Talvez não o amor que desejamos, mas o que podemos dar e receber de certa maneira. Outro dia, na volta para casa uma das minhas músicas favoritas atualmente me fez lembrar aquele nosso amor, como ele se construiu e como nós o "distribuímos" no decorrer desse tempo, é engraçado lembrar isso porque eu nunca havia pensado antes nessa questão, na minha cabeça o amor acabava e pronto, vida que segue e cada um no caminho escolhido, mais engraçado ainda é ver isso com leveza na alma e conforto no coração, é como se fosse possível agora "ouvir" a respiração do universo com clareza. É como se tudo aquilo de antes, tempestade ou mar calmo tivesse finalmente encontrado seu lugar na estante da casa, claro que foi preciso construir novos nichos, prateleiras e até mudar a cor da parede, mas tudo bem, às vezes e quase sempre é preciso repaginar o espaço para novas temporadas e estações do ano. Fácil não é, mas o processo quase sempre é libertador, vai por mim, sei do que estou falando. Perceber como nosso amor se transformou é encantador, olhar para uma carta encontrada dentro de um antigo caderno e não sentir dor é inexplicável e ao mesmo tempo, embora pareça assustador a principio, é maravilhoso, perceber que, até aquilo que julgávamos nunca ir embora, tomou outro rumo e, sendo bem sincera, poucas sensações são tão difíceis de serem explicadas e ao mesmo tempo, tão gostosas de serem vividas. Não estou dizendo que o amor, aquele amor já mencionado outras milhares de vezes por aí tenha acabado, no fundo eu sei que ele está aqui, mas agora ele é maior e, talvez ( eu disse TALVEZ), menos egoísta. Aquele que antes era "agora", hoje se transformou em, "podemos conversar a respeito"?, o que antes era, " Você vem"? hoje cedeu o lugar para " Dessa vez não podemos", se antes a chama gritava aqui dentro. Vai. Hoje, a calmaria pede calma e avaliação, deve ser por isso que a vida adulta, por tantas vezes parece ser tão chata, mas na realidade são essas perguntas e respostas que a torna tão necessária para a evolução, quando deixo de ser tão egoísta e prepotente, a ponto de achar que tudo está tão perto e ao alcance das minhas mãos e passo a " questionar" até onde o meu querer interfere na vida de outrem. É bem provável que um dia alguém tenha me dito palavras parecidas, e com certeza eu não as tenha levado em consideração naquele instante, deveria estar ocupada demais tentando obedecer meus impulsos. A verdade é que, depois que o vendaval passa, a paixão à flor da pele acalma, a gente consegue olhar o mundo por um ângulo mais real, mais palpável...É somente depois que alinhamos a bagunça interna que surge em nós, que podemos deixar o amor morar e se transformar realmente no que ele é. AMOR; Afinal, amar não é querer bem quem se ama? E querer bem não é deixar ir, mesmo quando a vontade é pedir para ficar. E se o amar é querer bem, partir nem sempre significa ir embora, em alguns casos é a salvação de um tal amor, porque a verdade é que, só quem ama de verdade é capaz de deixar ir e se permitir amar novamente, e não há nada mais lindo do que a transformação e a descoberta de novos amores. E mesmo quando o seu amor acabar, você ainda será AMOR, basta você olhar pela fenda da cortina da tempestade que passa, as respostas estão lá, mesmo que cobertas por neblina, o amor também.

Always Remember Us This Way


RR.



 
 
 

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