NO BUSÃO DA VIDA
- Renata Rocha

- 17 de jun. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 22 de nov. de 2018
Hoje eu estava na rodoviária esperando meu ônibus para retornar para casa depois de uma semana fora. Comecei então a observar ( como sempre ) as pessoas que ali se encontravam. Pessoas subiam e desciam de ônibus à todo instante. Pessoas com pressa, passos largos, algumas corriam, o sol era escaldante. Crianças choravam, pediam água, comida aos pais. Pessoas estressadas com o atraso dos ônibus, olhavam os relógios, mordiam os lábios, mexiam nos bolsos. Algumas olhavam fixamente a estrada, outros compravam camisas amarelas e falavam sobre o jogo da seleção mais tarde, certos nem ligavam para isso e só queriam chegar em casa, outros apenas respiravam calmos. Algumas viagens são mais longas, a paisagem é mais extensa. Nessas viagens é possível estabelecer um contato maior com o cobrador, com o motorista e até com o vizinho da poltrona ao lado, talvez role um papo com este, algumas historias, risos, uma pausa para um café no meio do caminho, mais papos e quem sabe, uma troca de telefones, um novo amor ( sério, meu tio conheceu a esposa dele dentro de um ônibus). Outras viagens são mais curtas, sem muitos desvios. Nessas viagens a gente entra no busão, dá um bom dia rápido para o motora e talvez para o cobrador, dificilmente falamos com o passageiro da poltrona ao lado, colocamos o fone de ouvido, aumentamos o volume da música ao máximo e se alguém fala, simplesmente fingimos que não é conosco. E então esse passageiro desce na próxima parada, provavelmente vocês nunca mais se revejam, ou não, esse mundo é tão pequeno e louco.
Na vida não é diferente, existe a rodoviária ( a vida ), o motorista ( nós ), o cobrador ( o tempo) e os passageiros ( amigos, familiares, amores...), esses, os passageiros, são os únicos que mudam, infelizmente ou felizmente. Alguns passageiros entram no nosso busão e essa viagem pode ser demorada, o papo pode ser mais longo, um desvio pode existir, um convite para um café pode ocorrer e então ela pode durar o mesmo tempo para ambos. Outras viagens são mais curtas, não rola tanta conversa, um riso de canto de boca pode até surgir, mas não vai passar disso, esse busão era só para levar ele para o destino mais rápido, mas não para ficar além do necessário. A vida é uma constante viagem, com muitos passageiros, várias paradas, muitos buracos pelo caminho, estradas não asfaltadas e flores diversas. Nessa viagem é possível encontrar paisagens deslumbrantes e não tão belas assim, alguns passageiros podem nos acompanhar até o fim, outros não vão tão longe e logo partem em busca de outro destino, em outro busão.
Hoje eu lembrei de quando comecei a dirigir, lembro perfeitamente da primeira vez que peguei no volante daquele carro, eu tremia de medo, mas eu queria muito aquela independência. No começo foi complicado, meu pé pesava no acelerador e o meu instrutor só me olhava rsrsrs.... depois de um tempo foi ficando mais tranquilo e então eu aos poucos fui "entendendo" os sinais que o carro me mandava ( passa a marcha, reduz, acelera...), o medo passou e a primeira vez que dirigi sozinha foi maravilhoso, lembro que fiquei rodando pela cidade até chegar na praia, ali fiquei apreciando as ondas e o luar. Não tem nada mais indescritível do que dirigir sem destino numa noite qualquer, sentir o vento no rosto e o cabelo voando por aí. Assim é nossa vida, alguns desafios surgem e então o desespero bate, o medo nos cerca, tudo é estranho. Até que a gente resolve segurar firme o volante e pisar devagar no acelerador, então vamos soltando a embreagem e acelerando lentamente...até que, tempos depois a situação já está sob controle, podemos então acelerar mais e mais, até que surgem os novos desafios e tudo começa de novo, até o fim da estrada. Meu instrutor de direção sempre dizia " Renata, controle o carro apenas com o freio e a embreagem, depois você acelera", trago isso comigo até hoje e espero que você saiba interpretar essa fala. Lembre-se que não é possível tocar uma música no violão sem antes aprender a ler as partituras, sem ir pelo básico, muito menos começar a construir uma casa pelo teto desta. Amo você. Freio e embreagem rsrsssr
Renata Rocha RR




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