MAIS UM DIA NA VIDA DE UMA ESTUDANTE / ESTAGIÁRIA DE JORNALISMO
- Renata Rocha

- 22 de set. de 2021
- 3 min de leitura
Hoje foi mais um daqueles dias longos. Talvez até merecesse uma baita reclamação, em vez disso eu olhei para a lua enquanto voltava para casa depois da aula na faculdade. Durante o caminho eu vinha pensando no quanto "vale" uma formação académica, principalmente quando dependemos apenas de nós mesmos para custear todas as despesas, todos os conflitos internos, todos os medos e inseguranças que surgem pela frente. Essa é uma pergunta que paira pelos meus pensamentos nos últimos dias - e é bem possível que ela tenha surgido naquela última roda de conversa em sala de aula- e tomando a minha vivência como experiência de causa, eu me atrevo a dizer que o preço dessa tal formação seja uma vida inteira de planejamentos, artigos, angústias, leituras e mais leituras de livros, elaborações de projetos…..
Alguns dias sobram tarefas para executar e faltam horas no relógio do dia. A sensação que eu tenho é de que corremos uma maratona todos os dias, onde a linha de chegada parece sempre mais longe e cheia de traves para saltarmos. As saídas noturnas com os amigos são facilmente substituídas por noites e mais noites de revisão de conteúdo, elaboração de textos e roteiros. Cochilamos umas 4 ou 5 horas de tempo e o despertador indica que mais um dia começa.
Eu acordo e listo: Tomar café, fazer exercício, ler e-mails, preparar o almoço, estágio, faculdade…….uffa! eu já me cansei e nem coloquei todas as tarefas aí.
11 horas da manhã, hora do estágio, a vantagem é que nesse período a circulação de pessoas nos ônibus é tranquila, então dá pra ir sentado até o destino final. Eu chego na redação e sou bombardeada com tarefas, elabora pauta, liga pra assessoria, conversa com os colegas, escreve nota, grava nota, escreve matéria, grava matéria...entre uma pauta e outra, um gole de café, seu Adriano fez a gentileza de trazer pra nossa sala uma garrafa cheinha do nosso energético.
18h, aqui sim é um horário delicado de subir em um busão para ir pra qualquer lugar, tudo está lotado, as pessoas parecem cansados e as últimas energias parecem ser suficientes apenas para segurarem as barras de segurança no corredor do ônibus. “ pelo menos elas estão indo pra casa” eu penso, eu vou rodar uma hora de busão e depois carimbar mais três horas de aula na faculdade, depois de caminhar pra parada de ônibus, enfrentar um mar de gente pra conseguir ir até o fim do corredor e me esfregar nas pessoas igual farinha de feira eu não posso mais contar com o desodorante que há essa altura do campeonato está mais acabado que minha mente e minhas pernas.
O dia não acaba só porque estou voltando pra casa, eu tenho a leitura do dia pra fazer, uma roupa que eu deixei no amaciante para estender, o roteiro do curta-documentário que não consegui atualizar mais cedo, para fazer. Quando eu penso em tudo isso e um pouco mais que não cabe nesse texto, eu quase sempre quero chorar. Desisti. Mas como eu sempre achei que desistir é fácil demais e eu gosto do que é mais difícil, eu respiro fundo, tomo um banho relativamente demorado - mas não muito, de olho no planeta- , visto a roupa mais velha e rasgada que eu encontrar na gaveta, faço um café, preparo uma pipoca, ligo o computador e começo a escrever. Quando me dou conta são uma hora da manhã e não finalizei as tarefas, mas tudo bem, continuamos depois, eu digo em voz alta.
Uma vida, esse é o preço da minha formação. Leituras intermináveis, esse é o preço da minha formação. Brigas e mais brigas com a conjugação do verbo, o sujeito e o predicado para que as pautas e as matérias saiam o mais correto possível, esse é o preço da minha formação. Noites e noites acompanhadas de café, computador, livros e ideias, esse é o preço da minha formação.
Se eu me desespero, reclamo, choro e quero arrancar os cabelos da cabeça? Sim, sou um ser humano que sente quando o cansaço bate, que sente quando as palavras embaralham a vista, que sente quando os prazos finais estão próximos e ainda há muito para ser produzido.
Se eu queria estar em outro lugar? Em nenhum desses momentos, por mais corridos e estressantes que eles são em grande parte do tempo. Eu estou exatamente como pedi tanto para estar, para fazer o que eu faço e para ter todas essas tarefas durante o dia e noite.
Sabe quanto vale para mim o preço de uma realização, o preço de todo esse processo, o preço de uma vida em formação. Quando eu olhar para trás amanhã, é exatamente essa Renata Rocha que eu quero lembrar e me orgulhar.
Não desista, garota.
P.s Rê
Renata Rocha RR




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