LIBERDADE OU SOLIDÃO?
- Renata Rocha

- 12 de jan. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de jul. de 2023
Eu sinto que cheguei onde eu sempre quis estar. Sozinha. Os cantos vazios dessa casa refletem bem essa realidade. Eu me sinto cada vez mais vazia e sinto cada vez menos alguma coisa -boa ou ruim-. Ao passo que os dias vão correndo, me afasto de tudo e de todos na van tentativa de encontrar alguma coisa dentro de mim. É como se queimar com a vela para ver se ainda sentimos algum tipo de dor. Adivinha, não funciona. Sigo sem sentir nada. Algo em mim se isolou. Foi aos poucos ficando tudo tão distante que eu nem sei quando me perdi.Toco o chão descalça e não sinto aquele gelado do piso às 6h da manhã quando saio da cama. Eu não me reconheço mais nos retratos antigos.Tudo parece ter mudado e nem me refiro ao cabelo, esse, claro, mudou drasticamente. Olho para fotos antigas e vejo outro ser humano - que não sou eu agora, mas sou eu- Consegue entender? Coleciono, ao longo desses anos, perdas que poderiam ter sido evitadas, mas que me permitiram crescer e desenvolver habilidades que nem eu mesmo imaginei que pudesse ter. Coleciono erros e arrependimentos, alguns pesam mais que outros, mas tudo bem, eles ainda me ensinam diariamente. Guardo aqui dentro amores que não passaram da imaginação. Está tudo bem também, foi com eles que eu aprendi a importância de falar o que se sente quando estamos perto de quem amamos, ainda que dure apenas um instante. Sempre vale a pena. Me isolei.Me anulei.Vivo roboticamente um instante de cada vez. Não sinto saudade, não sinto vontade, não sinto nada. A não ser esse vazio de tudo que eu poderia ter dito e não falei, do que poderia ter feito e não fiz, do que …..de tudo que eu poderia ter feito existir, mas não quis o suficiente. Eu sei que não. Olho para trás e vejo uma menina de sorriso leve e não sei em que parte do caminho ela deu espaço para essa pessoa fria e sem grandes pretensões que aqui escreve. Não sei se elas combinaram essa troca ou se a dança foi simplesmente mudando de ritmo conforme cada música era tocada. Vivo como se o amanhã não existisse e o passado é mais presente que o próprio presente nos meus dias. Para mim, restaram essas fotos antigas e várias xícaras de café preto sem açúcar. E assim encerro mais um dia. Coleciono perdas e vivo com as lembranças do que, talvez, poderia ter sido uma vida. Uma vida agora, cheia do vazio e de tentativas frustradas. E você, o que coleciona?
Renata Rocha RR




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