JOÃOZINHO
- Renata Rocha

- 11 de fev. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de fev. de 2019
Ela sempre ouviu dizer que seria necessário muita coragem para cortar o cabelo daquele tamanho, ela cresceu ouvindo todos a sua volta dizer que mulher bonita era mulher de cabelo grande, que o charme de uma estava nos comprimentos de suas madeixas. A menina doce e ingênua foi crescendo e descobrindo o mundo que lhe cercava, foi experimento a dor da perda, da frustração, do amor, foi então notando a infinidade que era seu corpo e as impensáveis possibilidades que haviam ali. A menina, doce,agora não tão ingênua, descobriu sua real beleza e o que de fato a tornava encantadora. De longe, ao observar aquela menina, agora, mulher percebi que ela trazia no olhar, saudade, esperança, risos e lágrimas, mas nenhum dos sentimentos era tão forte quanto o desejo de ser feliz, seja por uma vida inteira, um ano ou apenas um dia...de longe, ao observar aquela mulher eu podia sentir o perfume dela lançado até mim por aquele vento forte vindo em minha direção, ao olhar para aquela mulher que fixamente olhava numa direção diferente da minha eu vi certeza, aqueles olhos grandes, profundos falavam por ela, ansiosamente ela esperava algo ou alguém, ao me aproximar dela eu tive certeza que estava diante de coragem, o rosto dela passava confiança e então tive certeza, ela falou, sem mencionar uma única palavra. A menina, doce e ingênua cresceu e se tornou uma linda mulher, ela soube então o que de fato a torna bonita e que o cabelo grande ou curto era apenas um mero detalhe diante de tudo de belo que existia nela. Sem coragem ou medo a menina cortou os cabelos, cada mecha que caia sobre aquele piso era como se fosse uma parte de si se libertando para uma nova vida. Com o pescoço a mostra, ela pôde enfim sentir o gelado daquela manhã, com o pescoço livre ela sentiu a brisa toca-lhe a face e um riso surgiu...quando finalmente nossos olhares se cruzaram naquela parada de ônibus, só e só por um único instante de distração olhei pra trás, olhei novamente e ela então havia sumido...nunca mais vi quela menina de cabelo tão curto que de longe pude beijar seu pescoço, sem se quer sair do lugar.
Renata Rocha RR




Comentários