CERIMONIAL
- Renata Rocha

- 18 de jan. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 26 de mar. de 2024
Futuro. Para sempre. Eterno. O que essa três palavras tem em comum é um tempo que pode, simplesmente não chegar ou passar por nós sem que sequer notemos.
Quando eu penso na eternidade eu imagino que as coisas possam ficar sempre em uma mesma posição. Estático ali no canto ou no centro, à vista de todos.
Quando o assunto é diretamente ligada aos relacionamentos amorosos eu caio em uma teia de aranha, no emaranhado dos fios e dos infinitos questionamentos.

Pensar em amor eterno é uma forma de pensar que tudo vai se manter do jeito que está hoje, simplesmente porque eternizados em fotografias e enviamos para a nuvem, na vã tentativa de mantê-las guardadas pelos primórdios. Um erro. Porque, a eternidade requer involução, e seres humanos se modificam diariamente. Pensar em eternidade amoroso é pensar que a pessoa que é hoje- com seu erros e acertos - vai ser a mesma daqui há 20 anos. Não é. E o que muda não é somente a aparência física. Os cabelos brancos que logo se multiplicam ou as dores nos joelhos que são cada vez mais presentes nas conversas com amigos que se reencontram às quintas férias. Mudam as falas. Os gostos e, quem sabe, o bom humor.
Um dia um sábio disse em algum lugar deste mundo que "um homem não toma banho duas vezes no mesmo Rio, pois, ao retornar ao local, nem o Rio ou o homem são os mesmos" . Uma verdade explícita dita em uma frase tão simples. Porque é exatamente isso, mudamos diariamente, ainda que não percebamos e, pensar em eternidade como algo " tranquilo " e fácil de lidar é como entregar a faca e o queijo nas mãos de outras pessoas para que elas possa nos servir...A fatia pode sair desigual.
Renata Rocha




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