"Banhar-se"
- Renata Rocha

- 28 de mar. de 2025
- 1 min de leitura
Hoje foi um daqueles dias longos...
Abre tela daqui. Fecha reunião dali. Parece que não acaba nunca. No caos que é voltar para casa, o trânsito parece não ter fim.Buzinas, vozes, músicaalta ( eu vou enlouquecer )
Dentro do ônibus lotado a educação se confunde com o assédio. Já não sei quem quer passar para o fim do busão ou tocar nas cinturas das mulheres. Chego em casa desesperada por um banho. Não cumprimento ninguém e arranco a toalha rumo ao banheiro. Escolho não ligar a luz. Debaixo do chuveiro sinto a água cair pelo meu corpo e tomar forma em direção ao ralo no canto. Na agonia por um banho, noto que esqueci de tirar a calcinha. Não sei porquê, mas gosto da sensação, parece que agora estou protegida. O sabonete líquido se transforma em espuma densa quando as palmas das minhas mãos encostam no meu rosto e descem pelo pescoço. Eu sinto alívio e paz.
Quando baixo minha cabeça sinto a força das gotas d'água atingirem minha nuca. A água parece escorrer quente e eu consigo ouvir as batidas do meu coração quando fecho os olhos. Levando um pouco a cabeça e é como se eu me afogasse por um instante. Respiro suavemente e os pensamentos vão se acalmando....agora consigo ouvir a música calma que coloquei ao entrar no banho. Até a água parece mais calma e gelada agora. É estranho? Eu penso ao notar apenas uma fresta de luz pelo balancinho do banheiro enquanto tento alcançar o shampoo. Acho que quero ficar aqui . Quieta. Sozinha. É errado pensar assim?
Pena os banhos não serem eternos. ....
Renata Rocha




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