Aquele medo normal
- Renata Rocha

- 3 de jun. de 2018
- 3 min de leitura

Alguns dias são conflituosos, entende? É como despertar para mais um dia e então de repente batesse um medo aterrorizante. Tantos pensamentos te afligem e te perturbam. Você sente medo de decepcionar seus pais, seus amigos, seu parceiro/parceira, seu cachorro, seus avós, enfim, todos que estão na torcida pelo seu sucesso. Não sei se por nostalgia ou simplesmente preguiça, mas alguns dias eu só queria não estar aqui, nem sentir todo esse peso sobre mim. Às vezes paro para pensar em todos que estão a minha volta e então vejo os olhares de esperança, e expectativas desses. Fico me perguntando se realmente sou capaz de fazer tudo que me propus. Confesso que nesses dias aí, eu nem queria levantar da cama, preferia apenas permanecer parada alí, olhando para o teto e imaginar se seria diferente se eu simplesmente parasse agora.
Alguns dias eu sinto tanto medo, medo de não dar certo, de não chegar lá, de fracassar..de frustrar minha família e perder todas as apostas. Sinto medo de não conseguir realizar todos os sonhos e projetos que idealizo. Sinto tanto medo que, não consigo conter uma lágrima que insisti em cair e se, por um instante você pudesse sentir o que eu sinto agora, é bem provável que choraria também. Em alguns dias eu sinto tanta angústia dentro do meu peito que tudo que eu queria era um abraço apertado e demorado de um conhecido ou de um estranho na rua. Um abraço quente e confortante, daqueles que só nossa mãe consegue dar. Confesso que não sou muito emotiva, mas em alguns momentos eu tenho fobia a esse medo que me persegue nas madrugadas. Olho para meus livros em cima da cama, no chão, na escrivaninha, na parede, na cadeira ou na gaveta de pijamas e sinto ainda mais medo. As pessoas me chamam de dedicada, esforçada e tal, e você não faz ideia de como essas palavras me pressionam, Não que eles façam por mal, eu os entendo, mas em alguns dias elas são torturadoras e causadoras de insônia.
Não estou pensando em desistir dos meus objetivos ou algo do tipo, não é isso. Falo desse medo de não ser tão forte, quanto mostro e penso ser. Outro dia minha mãe pediu que eu fizesse dois poemas para ela, eu então perguntei o motivo de ela pedir para eu fazer estes, ela então respondeu, " porque você é inteligente e sei que consegue". Fiquei por alguns segundos parada alí, olhando para ela, fiquei completamente sem reação ou resposta. Então senti o tamanho da confiança que ela deposita em mim e você não faz ideia do pavor e do medo que eu senti naquele momento. passaram-se alguns segundos e eu continuava ali na porta, parada e olhando fixamente para os olhos dela e mil coisas se passavam dentro de mim, ela só fazia sorrir. Saí dali sem mencionar uma única palavra. Fui para meu quarto e chorei, chorei muito. Era uma mistura de alegria, medo e mais medo, mas fiz os poemas. Sinto muito medo, mas ele também me dá coragem para enfrentar os desafios que surgem. Nesse ponto não é mais segredo para você que sinto muito medo mesmo, mas sei que não posso parar agora. Sinto medo, sim, mas também sinto um infinito amor e esse amor, ahh, ele é como um energético para minhas ressacas, me dá força e mais ânimo e então eu continuo, mesmo ainda sentindo muito medo.
Renata Rocha rr




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