Adultos
- Renata Rocha

- 28 de dez. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 22 de jan. de 2020
A primeira vez que me recordo ter amado (ou pelo menos era o que eu pensava) alguém eu deveria ter entre 14 ou 15 anos. O engraçado é que nessa fase das nossas vidas tudo parece ter uma proporção 2x maior do que de fato é. Em meio a tantas novidades e hormônios a flor da pele nem poderia ser diferente ( rsrs). Com 16 anos entendemos por amor tudo aquilo que nos tirar o fôlego e nos faz flutuar em meio a tempestade que é viver. Eu, carinhosamente apelidei essa fase de " fase fantasia". Tudo parece tão fácil e talvez seja, só precisamos entender o que de fato é.
Aqui a gente ama sem pensar no amanhã, planeja sem se quer imaginar as curvas que o destino pode dar. Esperamos que tudo se resolva com uma noite de sono ou simplesmente planejamos uma fuga com direito a cordas pela janela durante uma madrugada enquanto nossos pais dormem. Nessa fase tudo parece simples e ao mesmo tempo tão complicado, batemos o pé quando os pais dizem não para a saída combinada com os colegas da escola, brigamos e talvez enfrentamos o mundo todo somente para ir àquele encontro que faz o coração saltar o peito, sem nem imaginar que um dia poderá estar aqui, na frente desse computador falando exatamente disso.
Sorte e azar nosso que essa idade e fase passa…Depois de algumas tentativas e experiências vividas a gente começa a separar e a entender isso ou aquilo…por que foi? Por que não foi e se foi, por que?
Então, com o passar do tempo, passam também certas certezas e claro, dúvidas.... Passamos a ser mais criteriosos conosco mesmo e nos permitimos por vezes sermos menos egoístas com os demais, pois entendemos que certas coisas simplesmente não foram para ser e que até podem ser um dia, mas que não será hoje. Eu chamo essa fase então de “adulto”, é isso... Ser adulto, eu me perguntei...pensei...respondi vivendo...errando, acertando, por vezes mais errei que acertei…continuo a errar e errarei muito ainda, afinal de contas, estamos aqui para aprender sempre. A diferença é quê, a partir do momento que passamos a entender que a fase fantasia passou e que o mundo real está aqui na frente, compreendemos que podemos sonhar com os pés exatamente no chão e com foco total no sólido. Ao me tornar um, meio que involuntário, percebi que para entender e chegar até aqui foi mais que necessário abrir mão, não somente de conceitos e ideias formadas, mas de pessoas e escolhas. Compreendemos que se tornar adulto implicou em desistir do que mais se ama ou queria, para se fazer o que é certo e o que é preciso, ser adulto não significa ser inabalável ou inalcançável a ponto de nada o atingir, mas é saber que às vezes seremos obrigados a fazer o necessário, mesmo que nosso coração diga ao contrário e nossa mente insista em relutar.... Nos tornar adulto trouxe responsabilidades maiores, dores não planejadas, agora mais calculadas...talvez repensadas.
Ser adulto implicou em não agir por impulso, pois agora sabemos que mais vale um sono tranquilo a noite, que uma noite agitada com dias extensos.... é, parece que isso é a idade adulta. Ser adulto foi olhar mais para o cardápio antes de pedir repensar na saída no fim de semana. Ser adulto hoje é entender que para eu ganhar amanhã, hoje eu preciso perder, pois como diria o poeta, ” mais vale um pássaro na mão que dois voando alto” e quando me torno adulto eu de fato entendo que para chegar nessa fase, eu precisei estar naquela já citada, pois a vida é feita disso...Fases e escolhas...Eu compreendi que nem sempre seria quando eu quisesse e que alguns dias simplesmente não seriam de sol e eu iria precisar de um guarda-chuva, assim como para os dias quentes eu iria precisar de um protetor solar e de muita água, a vida é assim, precisamos nos ajustar diariamente para então compreender que ela é, na verdade, um constante aprendizado e que assim como um malabarista precisa de equilíbrio na corda bamba, precisamos também encontrar esse equilíbrio na vida. Ser adulto vai além de entender o que isso significa, na verdade se pararmos para pensar, jamais entenderíamos, pois, a vida significa viver e aprender, a única diferença é que, quando se é adulto as feridas no joelho doem menos e conseguimos limpam-las sem se lamentar tanto da dor. Ser adulto pode até ser tudo isso ou pode simplesmente não ser e ainda assim, ser.
Renata Rocha RR




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