ADEUS
- Renata Rocha

- 28 de nov. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de nov. de 2018
Despedir-se de alguém, quer seja para sempre, quer seja apenas por um breve período de tempo nunca é fácil, principalmente quando esse alguém significa tanto para nós. Despedidas nunca são fáceis, a gente cria e recria milhões de cenas na cabeça, planeja cada palavra e repensa as N probabilidades de falar uma única frase, cada detalhe é minunciosamente pensado. Depois de tanto refletir chegamos a conclusão de não importa o quanto pensamos, nada se compara aquele momento em que você está ali, frente a frente, olho no olho, o coração a mil, o sangue mais quente na veia e os batimentos do coração acelerados. A gente sabe o que quer falar, mas parece que naquele instante tudo fica mais difícil de assimilar, até que a primeira frase sai, as outras são difíceis e dolorosas, mas não tanto quanto a primeira. Dar adeus a quem queremos por perto é ainda mais torturador. É como se algo nos dilasserassêmos de dentro para fora e então sentimos um pedaço de nós indo embora, pelo menos por um minuto. Talvez até quiséssemos permanecer um pouco mais ali e ver até onde aquilo tudo iria chegar, mas já estamos cansados demais para permanecer naquele mesmo lugar e então percebemos que não importa quão grande seja essa vontade de ficar, a necessidade de salvar a si mesmo é ainda maior. Dar adeus nunca é a decisão mais fácil, no entanto, em alguns momentos, essa é a única saída que encontramos para não perdermos o melhor de nós, deixar para trás alguém que na verdade, gostaríamos que estivesse sempre ao nosso lado é como colocar uma garrafa de vodka na frente de um alcoólatra, a gente sabe que não pode beber do líquido e que deve resistir, mas vai falar isso para um viciado. No fundo a gente sabe que aquilo só nos faz mal e que precisa se tratar para ter uma vida saudável de novo, mas não é tão fácil como pensamos ser. Dar adeus a alguém muitas vezes vai além de uma escolha, às vezes se trata de uma sobrevivência pessoal, sobre viver ou matar, viver para si ou matar seus sentimentos em prol de algo ou alguém, mas entenda, se para estar com esse alguém precisas matar aos poucos a si mesmo, então não faz o menor sentido, pois para compartilhar a felicidade e amor com outro alguém você precisa estar inteiro e se estiver em pedaços, o que poderá compartilhar? como poderá amar e ser feliz sendo você metade de alguém? como podes espalhar alegria se és apenas um pedaço dessa felicidade? como podes ir ao céu se nem mesmo tirou os pés do seu próprio inferno? Não pode. Você não pode amar alguém por inteiro se nem mesmo você está por inteiro nesse momento. Amar vai muito além de dizer que ama e querer bem, amar vai de estar junto para qualquer que seja a situação ou estado, amar tem haver com dizer adeus, mesmo que isso signifique deixar quem julgamos amar, pois, pense comigo, se de fato era amor, por que então deves o adeus então falar? seria de fato, amor? Friso, despedidas nunca são fáceis, mas nem sempre temos outra solução.
Renata Rocha RR




Comentários