Adaptado
- Renata Rocha

- 28 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de abr. de 2025
Eu coleciono lembranças imemoriais de um amor inexplicável que, por um medo incondicional, não se efetivou como merecia ser (ou talvez não fosse para ser e foi o que foi).
Coleciono sorrisos gravados na memória, dos momentos mágicos que vivemos, entre um encontro e outro... de um até breve para um adeus.
Coleciono o cheiro das flores apanhadas no caminho e daquelas pétalas espalhadas pelo chão de um quartinho qualquer que era nosso refúgio... principalmente naqueles dias confusos.
Coleciono sorrisos bobos sempre que a memória volta há anos atrás e recordo com clareza de cada detalhe daquele primeiro beijo, tão repentino e inesperado que me deixou sem ação! Ufa, o que eu faço agora? Fico? Vou embora em meio a esse temporal que cai lá fora?
Coleciono emoções das vezes que desabei em seu colo feito criança apavorada, e você, paciente, me consolava... Eu ainda me sinto assim às vezes, mas, longe do seu afago, eu engulo seco a tempestade que se forma dentro dos meus olhos.
Coleciono o frio na barriga, as mãos suadas e o coração acelerado todas as vezes que volto no tempo para 2017...
Nossa, o tempo realmente voa... E mesmo assim, parece que ele não passa... Ao mesmo tempo que me conformo que a vida nos deu novos e diferentes rumos, sinto como se a nossa ligação fosse para sempre, pela eternidade. Tenho cada vez mais certeza de que te conheço de outras vidas, não tem outra explicação! Ou talvez eu tenha te eternizado naquele pedacinho de estrela que eu tentei roubar para te entregar.
Eu coleciono saudades: das nossas longas conversas; das brincadeiras bobas; das idas e vindas à praia... Quando fecho os olhos, consigo ouvir o barulho da água à margem da praia. Coleciono só coisas boas, porque as ruins joguei fora (se é que existiram um dia). Acho que o tempo tem o poder de resumir o que vai deixar cravado em nosso subconsciente e, como um bom e velho amigo, ele restaura e guarda, para que, se necessário for, alegre os dias cinzas.
E se a vida é realmente uma caixinha de surpresas, eu guardo entre as divisórias desse armário a história que poderia ter sido, se não fosse aquele medo que tanto nos assombrava enquanto percorríamos as curvas estreitas daquela estrada...
Texto original de Ândrea Parente ,adaptado por Renata Rocha.




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